Eu sei que tenho andando a sofrer de desaparecimento crónico, mas entre estudos e trabalho, o tempo e a imaginação acabam por ser reduzidos. Então pensei em fazer uma pequena lista de coisas, que acredito que se vai tornar muito maior, a fazer em Londres (leia-se, Reino Unido) nestes 2 anos e meio que me restam, por isso vamos lá:
- Andar no London Eye (recuso-me veemente a pagar 20 libras para subir àquele aborrecimento de roda mas antes de me ir embora terei que dar o braço a torcer... diz que a vista de noite vale a pena).
- Mergulhar no Tamisa, apesar de não fazer ideia se é possível sequer.
- Ir a um concerto ao Wembley Stadium. À arena já se despachou.
- Comer fish and chips. Eu sei, incrível ainda não ter acontecido.
- Escrever um artigo para qualquer coisa que as pessoas leiam. Nem que sejam 2 linhas para uma porcaria tipo Daily Mail.
- Ir ao Glastonbury. Sem pagar.
- Ver um musical por ano, pelo menos.
- Sobreviver à carga de trabalho universitário sem ter que repetir nada.
- Por favor, alguém me apresente ao Ed Sheeran. E ao Russell Brand, já agora.
- Correr a costa da Irlanda.
- Ir ao Stonehenge durante um solstício, a única altura do ano em que se pode tocar nas pedras.
- Trabalhar no mercado de Camden.
- Ver o acender das luzes de Natal em Oxford Street. Perdi este ano porque sou estúpida.
- Assistir às Prime Minister Questions ao vivo no Parlamento.
- Sair à noite vestida de onesie, siiiim! Panda de preferência.
- Fazer a tour no bus do Harry Potter e visitar os Walt Disney Studios.
- Conseguir atingir aquele nível do yoga a 40ºC.
Isto é só (lol) o que me lembro agora. Alguns dos objectivos nem têm muito a ver com o país, mas mais comigo... enfim, estou só a injectar motivação na coisa.
Algumas ideias de alguém que já tenha por cá passado? São bem-vindas :))
Palavras Soltas
Maria Gonçalves
domingo, 16 de fevereiro de 2014
domingo, 12 de janeiro de 2014
take 147852
Esta semana voltei à rotina universitária e de trabalho. AH, e muito importante, decidi interromper a minha leitura do romance Stoner (aconselho) para ler o Harry Potter outra vez, do início, em inglês. Como se não houvessem coisas melhores para fazer.
Na quinta-feira fomos pedidos em Digital Journalism para levar uma câmara de filmar, tripé e essas coisas todas, para jogarmos mãos à obra. O objectivo era termos ideias de perguntas para fazer aos estudantes que lá andavam a passear e recolher opiniões diferentes. Parece tudo mais ou menos fácil e bonitinho, não fosse o olhar (e o "não" explícito) que as pessoas nos mandavam ao verem dois marmanjos a perguntar se os podiam filmar só por um couple of minutes. Mas enfim, como o pessoal até percebeu a nossa tortura, muitos deles mostraram-se realmente prestáveis e foi giro ouvir aquilo que cada um tinha determinado mudar em si este ano.
A propósito disso e sem ter nada a ver, lembrei-me de um pequeno vídeo que saiu há pouco tempo do making of do anúncio de Natal mais amoroso dos últimos anos, criado pela equipa da Britânica vende-de-tudo-e-mais-alguma-coisa John Lewis. Para qualquer leigo da animação e toda a respectiva construção que vai por trás, isto vai parecer mais do que incrível. Não fazia mesmo ideia de que era assim que funcionava e vale mesmo a pena ver:
Está aqui o resultado final. Grande trabalho, muito surpreendente!
Ouvi dizer que vai nevar por aqui para a semana. Estou muito ansiosa. Já que é para ser Inverno, ao menos que seja a sério!
Na quinta-feira fomos pedidos em Digital Journalism para levar uma câmara de filmar, tripé e essas coisas todas, para jogarmos mãos à obra. O objectivo era termos ideias de perguntas para fazer aos estudantes que lá andavam a passear e recolher opiniões diferentes. Parece tudo mais ou menos fácil e bonitinho, não fosse o olhar (e o "não" explícito) que as pessoas nos mandavam ao verem dois marmanjos a perguntar se os podiam filmar só por um couple of minutes. Mas enfim, como o pessoal até percebeu a nossa tortura, muitos deles mostraram-se realmente prestáveis e foi giro ouvir aquilo que cada um tinha determinado mudar em si este ano.
A propósito disso e sem ter nada a ver, lembrei-me de um pequeno vídeo que saiu há pouco tempo do making of do anúncio de Natal mais amoroso dos últimos anos, criado pela equipa da Britânica vende-de-tudo-e-mais-alguma-coisa John Lewis. Para qualquer leigo da animação e toda a respectiva construção que vai por trás, isto vai parecer mais do que incrível. Não fazia mesmo ideia de que era assim que funcionava e vale mesmo a pena ver:
Está aqui o resultado final. Grande trabalho, muito surpreendente!
Ouvi dizer que vai nevar por aqui para a semana. Estou muito ansiosa. Já que é para ser Inverno, ao menos que seja a sério!
lista de compras para 2014
Como seguimento à pequena introspecção do ano deixado para trás, fiquei a pensar nas minhas perspectivas futuras. A maior parte são só um sonho, mas como eu gosto de dizer a mim própria, não há acção se não houver a ideia primeiro, não é?
Pois para two thousand and fourteen, só algumas coisinhas no cesto das compras:
Pois para two thousand and fourteen, só algumas coisinhas no cesto das compras:
- Tomar mais conta de mim, física e espiritualmente.
- Começar as aulas de yoga.
- Ler mais em inglês, abranger o vocabulário.
- Ler mais em português, não perder o antigo.
- Aprender a tocar bateria.
- Ir à Croácia. E à Escócia.
- Fazer voluntariado no Verão.
- Levar pequenos-almoços na cama aos amigos. Ainda mais.
- NÃO SEGUIR RESOLUÇÕES DE ANO NOVO. Nunca funciona.
Por agora é tudo :)
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Revisões 2013ianas.
Depois de umas férias descansadas na casinha em Portugal, com (pouco) tempo para rever amigos e família, estou de volta à Londrina. Estas férias custaram-me um bocadinho pelo facto de terem sido 2 semanas. Se fosse um mês, dava tempo de ficar até farta do pessoal outra vez (haha), se fosse uma semana ia só dar tempo de dar um oi e mal sentir que estava em casa. Duas semanas é aquele tempo em que quando, finalmente, nos estamos a habituar outra vez à rotina casa-família-amigos, olhamos para a data e somos instantaneamente arrancados do nosso ambiente e jogados aos lobos, maaais uma vez.
Então, ano novo, de volta à capital inglesa, há tempo para fazer uma revisão do ano que passou e começar a marcar metas para este acabadinho de sair do forno.
Isto foi aquilo que eu retirei de 2013:
Então, ano novo, de volta à capital inglesa, há tempo para fazer uma revisão do ano que passou e começar a marcar metas para este acabadinho de sair do forno.
Isto foi aquilo que eu retirei de 2013:
- Família é família e não há nada no Mundo inteiro que se compare a ver o sorriso deles depois de 1 hora/ 2 dias/ 3 semanas/ 4 meses.
- O Inverno pode durar 6 meses e é possível ir a um festival de Verão onde esteja a nevar.
- As relações tornam-se mais intensas quando o tempo que temos para as manter é mais curto.
- Despedir de alguém que conheceste há pouco tempo pode ser tão difícil como do teu amigo de infância.
- Prefiro pedalar 1 hora debaixo de neve do que estar fechada num autocarro quando o sol brilha.
- Há poucas coisas melhores do que manter amizades com pessoas que estão a milhares de kms de distância.
- Os meus pézinhos descobriram a música que os faz voar.
- Educação e respeito por alguém constroem-se ; afinidade pessoal, não. Se não nos sentirmos bem com certas pessoas à nossa volta, há mais 7 biliões à espera de nos conhecer.
- Remorsos é para amarrotar e deitar para o lixo.
- Acordar com os pássaros é bem melhor do que com os aviões.
- Não há melhor sentimento do que querer muito muito muito alguma coisa com toda a nossa alma, e ela, de repente!, acontecer.
- Mas trabalhar muito muito muito para um objectivo e chegar lá depois de todo o suor também está no pódio.
- O pôr do sol alentejano é o mais bonito do Mundo e há poucos céus estrelados que se comparem ao que vejo da minha casa.
- Adaptação é difícil. Mas passa mais rápido com boa-disposição.
- É possível ter energia sem café e viajar sem máquina fotográfica.
- As energias não são como os amores em que os opostos se atraem. Boas trazem melhores ainda.
- Há gente que pensamos conhecer e de um momento para o outro podem fazer-nos olhar para elas de toda uma nova maneira.
- Coragem e sem-papas na língua fazem mais por nós do que imaginamos.
- Que não se diz "Me and Maria", mas "MARIA AND I" (esta é para continuar a martelar este ano).
- Os verdadeiros amigos são aqueles que também se movem por ti em vez de ficarem à espera que só tu te movas.
- As mães têm SEMPRE razão.
- Londres é bonito. Mais durante as manhãs. Mas o sotaque é mais.
Eu sei que a maior parte destas coisas não é novidade para ninguém, mas foram realmente aquelas que mais me deram que pensar em 2013. Aprendi muito e aprender nunca é demais. Tenho as expectativas altas para este ano e a plena noção de que só cabe a mim superá-las.
Cá esperaremos com entusiasmo e curiosidade. Bring it on, bitch!
domingo, 5 de janeiro de 2014
Couchsurfing or sexsurfing?
Agness Walewinder is a Polish girl in her twenties, one of the many adventurous youngsters in our world and an avid Couchsurfing user. Well, at least she was one. “I was very naïve, I must admit,” she says.
Her experiences last year, whilst back-packing in Europe, weren’t clearly the best times of her life. When Agness decided to travel around the continent, she picked her hosts for being males because, as she states, they are much more “easy going” whereas girls tend to be more conflictual.
What she didn’t know is that a new trend was coming to the block and she was about to become a part of it: the “sexsurfing experience.” In total, she was hosted by five men and two women during her journey. She was asked to have sex twice, and two other of her hosts admitted they only accepted the requests because they were hoping to take her to bed.
For those of you who are still not aware of it, Couchsurfing is a global network created by Casey Fenton in 2004 which reached one million members in 2010 and nowadays is used by seven million people in more than 100,000 cities. Its main goal is the exchange of hospitality between the members: they can be “hosts”, people who offer their home and time to their guests; or “surfers”, travellers who enjoy free accommodation but are committed to share their culture with the hosts.
According to a survey made in 15 cities of all parts of the globe, through the Couchsurfing website, 90% of the people still believe that the network provides the best option for travellers with a small budget, a survey in which 40% of the participants have been a part of it for more than three years. Nevertheless, it also showed a serious preoccupation of half of the people: there are too many users who don’t relate to the core values of the community – “Create connection; offer kindness; leave it better than you found it”. So what is happening with this organisation that used to be the church of the open-minded world explorers?
The website has experienced a decrease in its accession since it changed to a for-profit organisation in 2011, which encouraged some of the members to change to its rival BeWelcome. This year, 40% of the staff was cut off in October and CEO Tony Espinoza stepped down, stating he was proud that “Couchsurfing is poised for the future with a great team and a passionate, growing community.”
Markus Nittman is a 19-year-old boy from Austria, who couchsurfed for a couple of weeks in Australia. “I stayed at this guy’s house, he was a bit older than me but pretty nice, and showed me around some really good places in Melbourne. He took me to this fancy bar, we had some cocktails, and the night was going pretty great.” So far, so good, right? “After a while, I was already feeling a bit drunk. He took advantage of it and asked me if I wanted to have sex with him.” Markus politely said “no” and was lucky to be in the presence of a mature person who respected his position and stepped back.
The same thing didn’t happen to Agness. She admitted her hosts’ attitudes changed when she refused: “Unfortunately, most of the guys turned into cold and ignorant people. They stopped talking to me and used plenty of excuses not to show me around the city. It was a very childish and disappointing behaviour.” After that, she shared what happened in her blog and received more than 200 different responses, some of them from people describing that they have gone through the exact same situation.
Malia Moss, former Producer of Couchsurfing Stories, made a serious statement in her YouTube channel: “You, as a surfer, are not expected to have sex with your host in exchange for a place to stay. That is prostitution! If you feel uncomfortable, at all, leave that place immediately.”
Not only during travelling this kind of situation happens. According to the Couchsurfing official statistics, there are more than 300 cities in the world organising weekly events, which seem rather attractive to some of the members. Victoria Martin, 27, was one of them when she had a one-night-stand with a fellow surfer named Joe in Amsterdam. “The truth is, when I saw he was going to the meeting, I knew I was going to like him and that I had to go too,” the Spanish stated.
On December 7, the website Bussinessinsider.com published a controversial article called “Couchsurfing’s Sex Secret: It’s The Greatest Hook-Up App Ever Devised”, to which the almost-a-decade organisation CS replied on its Twitter: “There is no sexual obligation when it comes to Couchsurfing. Our safety team removes members from the website who are using it for sex or dating purposes – that is not what we’re about!” The fact is that, nowadays, it is too easy to create a fake image of ourselves online. The website allows us to pay to be a verified user and exchange references with people we met through real life travelling experiences; however, most of these “sexsurfing” situations remain unreported.
This problem is being carefully handled by the safety team of the website, which has a special section on “Personal Safety Tips.” They advise the surfers to look for hosts with a complete and consistent profile and good references before choosing, to make sure they know what to expect from the houses and to immediately contact the authorities if they feel unsafe or in danger. When in a safe location, there is also the option to report the incident to the Trust and Safety Team.
For Agness, the fact that Couchsurfing is not the safest option, especially if you are a female solo traveller, just makes the challenge harder but not impossible. “People need to realize that Couchsurfing can be a great as well as a bad experience and we should be extremely careful when signing up for this. I'm totally fine with Couchsurfing as long as I stay with girls, and although I had some bad experiences, I also have some great memories I will cherish forever.”
Her experiences last year, whilst back-packing in Europe, weren’t clearly the best times of her life. When Agness decided to travel around the continent, she picked her hosts for being males because, as she states, they are much more “easy going” whereas girls tend to be more conflictual.
What she didn’t know is that a new trend was coming to the block and she was about to become a part of it: the “sexsurfing experience.” In total, she was hosted by five men and two women during her journey. She was asked to have sex twice, and two other of her hosts admitted they only accepted the requests because they were hoping to take her to bed.
For those of you who are still not aware of it, Couchsurfing is a global network created by Casey Fenton in 2004 which reached one million members in 2010 and nowadays is used by seven million people in more than 100,000 cities. Its main goal is the exchange of hospitality between the members: they can be “hosts”, people who offer their home and time to their guests; or “surfers”, travellers who enjoy free accommodation but are committed to share their culture with the hosts.
According to a survey made in 15 cities of all parts of the globe, through the Couchsurfing website, 90% of the people still believe that the network provides the best option for travellers with a small budget, a survey in which 40% of the participants have been a part of it for more than three years. Nevertheless, it also showed a serious preoccupation of half of the people: there are too many users who don’t relate to the core values of the community – “Create connection; offer kindness; leave it better than you found it”. So what is happening with this organisation that used to be the church of the open-minded world explorers?
The website has experienced a decrease in its accession since it changed to a for-profit organisation in 2011, which encouraged some of the members to change to its rival BeWelcome. This year, 40% of the staff was cut off in October and CEO Tony Espinoza stepped down, stating he was proud that “Couchsurfing is poised for the future with a great team and a passionate, growing community.”
Markus Nittman is a 19-year-old boy from Austria, who couchsurfed for a couple of weeks in Australia. “I stayed at this guy’s house, he was a bit older than me but pretty nice, and showed me around some really good places in Melbourne. He took me to this fancy bar, we had some cocktails, and the night was going pretty great.” So far, so good, right? “After a while, I was already feeling a bit drunk. He took advantage of it and asked me if I wanted to have sex with him.” Markus politely said “no” and was lucky to be in the presence of a mature person who respected his position and stepped back.
The same thing didn’t happen to Agness. She admitted her hosts’ attitudes changed when she refused: “Unfortunately, most of the guys turned into cold and ignorant people. They stopped talking to me and used plenty of excuses not to show me around the city. It was a very childish and disappointing behaviour.” After that, she shared what happened in her blog and received more than 200 different responses, some of them from people describing that they have gone through the exact same situation.
Malia Moss, former Producer of Couchsurfing Stories, made a serious statement in her YouTube channel: “You, as a surfer, are not expected to have sex with your host in exchange for a place to stay. That is prostitution! If you feel uncomfortable, at all, leave that place immediately.”
Not only during travelling this kind of situation happens. According to the Couchsurfing official statistics, there are more than 300 cities in the world organising weekly events, which seem rather attractive to some of the members. Victoria Martin, 27, was one of them when she had a one-night-stand with a fellow surfer named Joe in Amsterdam. “The truth is, when I saw he was going to the meeting, I knew I was going to like him and that I had to go too,” the Spanish stated.
On December 7, the website Bussinessinsider.com published a controversial article called “Couchsurfing’s Sex Secret: It’s The Greatest Hook-Up App Ever Devised”, to which the almost-a-decade organisation CS replied on its Twitter: “There is no sexual obligation when it comes to Couchsurfing. Our safety team removes members from the website who are using it for sex or dating purposes – that is not what we’re about!” The fact is that, nowadays, it is too easy to create a fake image of ourselves online. The website allows us to pay to be a verified user and exchange references with people we met through real life travelling experiences; however, most of these “sexsurfing” situations remain unreported.
This problem is being carefully handled by the safety team of the website, which has a special section on “Personal Safety Tips.” They advise the surfers to look for hosts with a complete and consistent profile and good references before choosing, to make sure they know what to expect from the houses and to immediately contact the authorities if they feel unsafe or in danger. When in a safe location, there is also the option to report the incident to the Trust and Safety Team.
For Agness, the fact that Couchsurfing is not the safest option, especially if you are a female solo traveller, just makes the challenge harder but not impossible. “People need to realize that Couchsurfing can be a great as well as a bad experience and we should be extremely careful when signing up for this. I'm totally fine with Couchsurfing as long as I stay with girls, and although I had some bad experiences, I also have some great memories I will cherish forever.”
sábado, 7 de dezembro de 2013
*Um aparte
* (Este bocadinho é só para os mais interessados) Vou só deixar aqui uma nota de quais foram as palestras que gostei mais e porquê:
Laura Bates - vale muito a pena darem uma pesquisa no trabalho desta rapariga. Eu já tinha lido uns artigos dela mas nunca tinha reparado no nome até que hoje quando a ouvi falar fiquei surpreendidíssima por ver que era ela que estava por detrás daquelas histórias. A Laura contou-nos que numa só semana foi sexualmente agredida 3 vezes. Calma, ela não foi violada. O que lhe aconteceu foram coisas que a nós nem nos passa pela cabeça serem crime porque já são tão banais para nós que não reparamos. Homens que lhe jogaram a mão à virilha em pleno transporte público, comentários muito grosseiros na rua... O que a fez começar a pensar que tipo de rótulo teria a Mulher para ser vista como um objecto. A partir daí criou o Everyday Sexism (http://everydaysexism.com/), projecto que já lhe valeu muitos prémios. Através do website milhares de pessoas de todo o mundo partilharam as suas histórias que cresceram até serem notadas. O que esta menina/mulher quer é uma revolução cívica. Eu apoio.
Leyla Hussein - Esta senhora deixou a plateia toda em lágrimas e sorrisos ao mesmo tempo. Leyla é proveniente da Somália e é uma activista anti-MGF (mutilação genital feminina). Durante a conversa, a Leyla perguntou quantas pessoas conheciam alguém que tivesse sofrido de MGF e do público inteiro apenas 4 ou 5 levantaram a mão. Ao que ela pede que todos levantem porque estão diante de alguém que também já sofreu. Ao início ficámos todos em choque e sem reacção, mas ao longo do tempo fomos percebendo que a Leyla, ao contrário de muitas meninas, usou a sua experiência para criar a fundação Daughters of Eve e dar alerta geral acerca desta situação. Mais de 24,000 raparigas só no Reino Unido estão em risco de sofrerem o "corte", e a grande parte sofre mesmo. Estes são os números que deviam estar a envergonhar este país. Como é um assunto tabu, muitas das amigas de Leyla recusavam-se a falar da experiência, até que começaram a perceber que podiam ser as figuras que as suas mães não foram e impedir as próximas gerações de sofrerem do mesmo trauma. Eu juro que esta mulher foi um furacão humano. Para mais informação sobre o assunto e como ajudar, assinem aqui a petição de Leyla Hussein (que está quase quase a atingir a meta): http://epetitions.direct.gov.uk/petitions/52740
Yang-May Ooi - Quando estava a estudar o caso e vi que a Yang-May era escritora, pensei imediatamente "esta palestra vai ser boa, de certeza!". Ah, mas como eu estava enganada. Não foi boa, foi genial. A Yang-May é autora de bestsellings e explora temas como o que é necessário para uma vida preenchida, sendo a maior destas necessidades a expressão do "eu" sem qualquer tipo de preconceito. Yang conta a história de quando estava nos anos 80 e tinha 20 anos e um "big hair". Tinha tudo para ser o ideal de mulher: era advogada, os seus amigos todos tinham trabalhos conceituados e tinha um namorado lindo de morrer. Só que havia um problema. Ela não se sentia bem, porque ela achava que o lugar dela era no mundo da escrita. E ela tinha uma amiga que sempre a apoiou nesse sentido. Aquela amiga com quem ela podia ser ela mesma. Até que ela percebeu que talvez a amiga não fosse só uma amiga, mas debaixo de todos os rótulos e pressão da altura, Yang tentava afastar os seus pensamentos "impróprios" e dar lugar a uma imensa infelicidade. A amiga dela até sentia o mesmo, mas tinha medo também. E um dia os caminhos delas desviaram-se. Ao fim de algum tempo, voltaram a entrar em contacto e Yang visitou-a na Suécia. A atmosfera voltou, ao lado da certeza de que seria mesmo amor. Yang ganhou coragem e beijou-a. O que ela não sabia antes e descobriu nesse momento foi que quando a sua amiga disse "Mas eu não posso ser lésbica! Eu quero casar e ter família!" ela estava a rotular a relação e a partir daí não havia futuro.
Basicamente este foi o momento decisivo na vida de Yang-May. Ela gritou ao mundo "Fuck the labels!", cortou o cabelo, tornou-se escritora e neste momento vive com a sua parceira de longa data, que conheceu tempos depois, e com quem já é casada há 5 anos. Têm uma família. Têm tardes de domingo a beber chá ao pé da lareira com os amigos à volta. Têm tudo aquilo que ela sempre quis, e ela é ela, e não outra advogada qualquer.
Isto tudo com o toque de prosa verbal que só alguém com uma história de luta imensa e coração cheio pode dar. Foi muito impressionante mesmo. Sorriso instantâneo nas nossas caras. Dêem um saltinho ao site dela, garanto-vos um boost de boa disposição: http://www.storyguru.co.uk/.
E estamos conversados. Muito boa noite e um domingo cheio de coisas boas para vocês também. ♥
Feminismo vs Humanismo, TEDx Review
Bem,
Vou explicar um bocadinho a fantástica experiência que tive a oportunidade de viver hoje. Por causa de um trabalho para Digital Journalism (uma cadeira que eu acho extremamente aborrecida no que toca à exploração destas novas tecnologias mas muito divertida pelos projectos que nos lança) tinha de escolher um evento para fazer liveblogging, que fosse tipo desportivo ou uma conferência, algo que valesse a pena relatar e para a qual eu pudesse levar o meu estandarte de computador, telemóveis, cabos, boa-disposição e etc. E, claro, que tivesse Wifi (a tal dependência, não é..? Inacreditável).
Durante a minha busca ocorreu-me que talvez houvesse um evento das TEDxTalks por aqui. Por minha grande sorte, havia! Então, para quem não faz a mínima ideia o que é o movimento TED e o que são as benditas Talks, vale dar uma vista de olhos no website: http://www.ted.com/. E pelo título podem perceber - Ideias que valem a pena serem partilhadas. As TED Talks em si são eventos de enorme proporção organizados pela grande agência, enquanto que as TEDx são os movimentos independentes que são bem mais frequentes, organizados mais por "locais". Mas todos eles partilham dos mesmo valores - que as TED são conversas e partilhas globais de ideias. Pessoas com grandes histórias de vida que decidem partilhá-las para que reles mortais como eu se sintam inspirados a mudar qualquer coisa nas suas vidas.
Adiante, TEDxConventGardenWomen - o tema foi "Unlabelled". Um dia passado com 12 oradores que falaram sobre o papel da mulher na sociedade actual, tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento. Sobre rótulos e a maneira como estamos tão acostumados a eles que os transformamos em falsas tradições inquebráveis (o corrector diz-me que esta palavra não existe, é verdade?). E principalmente como largar esses tais rótulos e lutar pela igualdade de sexos.
Basicamente foi discutida a afirmação do feminismo, o que para mim, logo para começar, é uma denominação muito errada. Supostamente não se devia lutar pela igualdade usando termos como machismo ou feminismo, certo? No entanto, se realmente existe o machismo (e sim, ele existe numa proporção D-E-M-A-S-I-A-D-O elevada), é inevitável que movimentos como o feminismo apareçam depois. Só que do que eu já vi da história mundial, não há guerra que se trave e que acabe numa paz acordada sem que ambos os lados sejam levados à exaustão. Por isso o que eu apelo mesmo é a um abraço entre os campos sexuais - a epopeia do humanismo - , maas, como também sei que isso não vai acontecer... pois terei que escolher um lado. E como eu caio sempre para a minoria, lá estive fervorosamente a absorver tudo o que foi dito nas palestras do dia de hoje.
Foi realmente impressionante ouvir pessoas, e principalmente homens, como o filantropo suíço Yann Borgstedt, defenderem a causa da mulher. Os dados que ele nos mostrou da quantidade de mulheres violadas hoje em dia em sítios como o Reino Unido ou a França foram simplesmente abomináveis.
Fiquei muito chocada com alguma da informação que aprendi hoje, mas maravilhada com a força daquela gente, que não só passaram por situações complicadas, como decidiram ajudar outros casos semelhantes - e melhor ainda, partilhar tudo com o público para que também nós possamos levantar a voz pelos nossos direitos, independentemente de géneros. Estou cheia de uma energia positiva.
Gente, para quem possa assistir às Talks: recomendo vivamente! Algumas são grátis e as que não forem custam só dois fins de semana sem saídas loucas que pagam de volta num dia com uma partilha de emoções ainda mais louca, prometo.
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