* (Este bocadinho é só para os mais interessados) Vou só deixar aqui uma nota de quais foram as palestras que gostei mais e porquê:
Laura Bates - vale muito a pena darem uma pesquisa no trabalho desta rapariga. Eu já tinha lido uns artigos dela mas nunca tinha reparado no nome até que hoje quando a ouvi falar fiquei surpreendidíssima por ver que era ela que estava por detrás daquelas histórias. A Laura contou-nos que numa só semana foi sexualmente agredida 3 vezes. Calma, ela não foi violada. O que lhe aconteceu foram coisas que a nós nem nos passa pela cabeça serem crime porque já são tão banais para nós que não reparamos. Homens que lhe jogaram a mão à virilha em pleno transporte público, comentários muito grosseiros na rua... O que a fez começar a pensar que tipo de rótulo teria a Mulher para ser vista como um objecto. A partir daí criou o Everyday Sexism (http://everydaysexism.com/), projecto que já lhe valeu muitos prémios. Através do website milhares de pessoas de todo o mundo partilharam as suas histórias que cresceram até serem notadas. O que esta menina/mulher quer é uma revolução cívica. Eu apoio.
Leyla Hussein - Esta senhora deixou a plateia toda em lágrimas e sorrisos ao mesmo tempo. Leyla é proveniente da Somália e é uma activista anti-MGF (mutilação genital feminina). Durante a conversa, a Leyla perguntou quantas pessoas conheciam alguém que tivesse sofrido de MGF e do público inteiro apenas 4 ou 5 levantaram a mão. Ao que ela pede que todos levantem porque estão diante de alguém que também já sofreu. Ao início ficámos todos em choque e sem reacção, mas ao longo do tempo fomos percebendo que a Leyla, ao contrário de muitas meninas, usou a sua experiência para criar a fundação Daughters of Eve e dar alerta geral acerca desta situação. Mais de 24,000 raparigas só no Reino Unido estão em risco de sofrerem o "corte", e a grande parte sofre mesmo. Estes são os números que deviam estar a envergonhar este país. Como é um assunto tabu, muitas das amigas de Leyla recusavam-se a falar da experiência, até que começaram a perceber que podiam ser as figuras que as suas mães não foram e impedir as próximas gerações de sofrerem do mesmo trauma. Eu juro que esta mulher foi um furacão humano. Para mais informação sobre o assunto e como ajudar, assinem aqui a petição de Leyla Hussein (que está quase quase a atingir a meta): http://epetitions.direct.gov.uk/petitions/52740
Yang-May Ooi - Quando estava a estudar o caso e vi que a Yang-May era escritora, pensei imediatamente "esta palestra vai ser boa, de certeza!". Ah, mas como eu estava enganada. Não foi boa, foi genial. A Yang-May é autora de bestsellings e explora temas como o que é necessário para uma vida preenchida, sendo a maior destas necessidades a expressão do "eu" sem qualquer tipo de preconceito. Yang conta a história de quando estava nos anos 80 e tinha 20 anos e um "big hair". Tinha tudo para ser o ideal de mulher: era advogada, os seus amigos todos tinham trabalhos conceituados e tinha um namorado lindo de morrer. Só que havia um problema. Ela não se sentia bem, porque ela achava que o lugar dela era no mundo da escrita. E ela tinha uma amiga que sempre a apoiou nesse sentido. Aquela amiga com quem ela podia ser ela mesma. Até que ela percebeu que talvez a amiga não fosse só uma amiga, mas debaixo de todos os rótulos e pressão da altura, Yang tentava afastar os seus pensamentos "impróprios" e dar lugar a uma imensa infelicidade. A amiga dela até sentia o mesmo, mas tinha medo também. E um dia os caminhos delas desviaram-se. Ao fim de algum tempo, voltaram a entrar em contacto e Yang visitou-a na Suécia. A atmosfera voltou, ao lado da certeza de que seria mesmo amor. Yang ganhou coragem e beijou-a. O que ela não sabia antes e descobriu nesse momento foi que quando a sua amiga disse "Mas eu não posso ser lésbica! Eu quero casar e ter família!" ela estava a rotular a relação e a partir daí não havia futuro.
Basicamente este foi o momento decisivo na vida de Yang-May. Ela gritou ao mundo "Fuck the labels!", cortou o cabelo, tornou-se escritora e neste momento vive com a sua parceira de longa data, que conheceu tempos depois, e com quem já é casada há 5 anos. Têm uma família. Têm tardes de domingo a beber chá ao pé da lareira com os amigos à volta. Têm tudo aquilo que ela sempre quis, e ela é ela, e não outra advogada qualquer.
Isto tudo com o toque de prosa verbal que só alguém com uma história de luta imensa e coração cheio pode dar. Foi muito impressionante mesmo. Sorriso instantâneo nas nossas caras. Dêem um saltinho ao site dela, garanto-vos um boost de boa disposição: http://www.storyguru.co.uk/.
E estamos conversados. Muito boa noite e um domingo cheio de coisas boas para vocês também. ♥
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