segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

02:07

A ter uma conversa sobre o tópico, algumas ideias começaram a suscitar.

Há um ano e uns meses atrás, quando me mudei para a Holanda, (achava que) tinha muitos amigos. Dezenas. O facebook dizia até milhares! E ia imensamente triste por deixá-los a todos, mas também muito contente com toda a história de que estamos a "um click de distância".

Depois deste tempo e de me mudar outra vez, vejo que o que está mal com essa expressão, é que nós nunca nos apercebemos o quanto custa um click a certas pessoas quando estás mesmo distante. O quão facilmente uma presença relevante diária muda para um "então? o que é que tens feito?" semestral. E o quão dificilmente é termos noção do valor que tem uma amizade.
Não estou aqui a falar de uma amizade qualquer. Estou a falar daquele tipo de amizade que nos cria a ilusão de que não há nada mais importante do que ela, a sua bolha, e quem está lá dentro.  E que quando mais precisas da dita cuja, pois bem, todos sabemos como é rápido rebentar uma bolha, não é?

Então, sem divagar, o que eu quero dizer é que a distância realmente afecta as relações, sejam elas de que natureza forem. Mas, a meu ver, afecta de uma boa maneira: restringir o nosso círculo só nos faz é bem. Percebermos quem é que está lá mesmo, (e isto é uma expressão muito desvalorizada), mas a verdade é que, quem está lá mesmo, está. Está e está como se sempre estivesse. Pode estar só às vezes, acontece a todos, não só quando se está longe. Mas está!

E quem está não pergunta "o que é feito de ti?" , porque isso não é o que eu pergunto a alguém próximo de mim. Isso é o que eu pergunto a alguém que encontre inesperadamente na rua e não veja há muito tempo. Uma amiga da minha mãe. Alguém que conheci num dia qualquer. Não interessa.
Quem está sabe melhor o que é feito de ti quando estás longe porque é a altura mais crucial. Porque, mesmo que não tenha interesse nenhum, faz-se de interessado e ouve o que tens para dizer e todas as tuas queixas e aventuras e coisas sem nexo algum, só porque sim. Não porque quer saber o que comeste ao pequeno-almoço mas porque gosta de saber como te sentes acerca disso.

E foi assim que eu cheguei ao estado em que me sinto hoje (e que vem de já há algum tempo atrás) - não tentar alimentar algo que já está morto. Aprender a largar e não guardar remorsos. A vida é feita de fluxos, do vai que vai e vem que fica. Sem pressões, sem ilusões. Olhar para o que vem com aquele brilho nos olhos e sorriso na cara de quem sabe que a situação já esteve pior e há de ficar melhor.

E, tão naturalmente como respirar, perceber que as pessoas não funcionam como bolhas... Elas são nuvens. Regeneram-se.

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