Com a morte de Nelson Mandela, chegou o momento em que todos nos lembramos do seu legado. Histórias de lutas intermináveis, forças imbatíveis e muita crença na justiça humana.
E eu estava aqui a imaginar como teria sido o Mundo se Mandiba não tivesse gritado, lutado, e sido o prisioneiro mais famoso de sempre; mas tivesse assinado petições na internet, partilhado no Facebook e recebido uns comentários negativos.
"For starters, the double-edged sword of the internet means that whilst everybody is given a platform to make their views known, it also gives the impression that a simple show of opinion is enough." - Joe Rivers
Desde o início dos tempos que estamos rodeados de exemplos de activismo e é daí que vem mesmo o nome - ser ACTIVO. E apesar de nem toda a gente ter esse espírito, lamento informar (a mim própria também) que partilhar uns links enquanto estás deitado na cama a ver vídeos de gatos é mais a minha descrição de passivo.
No entanto, eu sei que também depende da intenção de cada um. Nesta era digital, assinar petições online pode ser o primeiro passo para ajudar o próximo e criar a mudança - se estás informado e é realmente nisso que acreditas. Se pretendes dar o segundo passo.
Agora, se queres mesmo, mesmo!, fazer a diferença, não vás dormir à noite de mente tranquila a pensar que só porque puseste um 'gosto' naquele post da Green Peace a tua parte está feita. Atenção, eu não estou a tentar tirar crédito às pessoas que põe lá os seus likes. Ao menos significa que se preocupam. Claro que nem toda a gente quer ser o próximo Dalai Lama, alguns preferem ficar-se pelas pequenas mudanças. O grupo activista Artic30 não teria saído em liberdade condicional se as petições não tivessem sido assinadas e as cartas enviadas. É só este sentimento de impotência que me atravessa ao ver que grupos como esses foram sequer detidos. Que em pleno século XXI, as pessoas que realmente vão usar a voz de forma pacífica sofrem essas repercussões enquanto nós estamos aqui detrás do ecrã como se nada fosse.
O problema é que a maior parte dessa gente que eu dou de caras por aqui só quer dar uns ares de boa pessoa nas redes sociais. É uma coisa que me dá muito a volta a cabeça. Não são suficientemente corajosos para ir para a rua/campo? Tudo bem. Há milhares de associações à qual podem oferecer ajuda de outras maneiras. Doar. Organizar eventos de caridade. Deixar uns pacotes de arroz no Banco Alimentar à saída do supermercado.
Isto tudo porque estou farta deste reles activismo de facebook. E estou farta de fazer parte dele. E de ver gente que sei que não tem um pingo de noção com o que se passa actualmente no mundo a partilhar histórias de pessoas com a qual nem elas mesmas se preocupam, como se estivessem a fazer a melhor acção de sempre. Talvez para alguém que não vos conheça, pode pensar que são o Che Guevara 2013. Mas também, é para isso que as redes sociais servem, não é? Passar a imagem mais errada de nós mesmos. Ao menos apelem à coerência. Se realmente defendem uma grande causa, façam pequenos actos que o demonstrem.
Dizer que a multiculturalidade é uma mais-valia, "excepto os ciganos" - não! Publicar posts a dizer que se "as árvores dessem wifi, estaríamos todos a salvá-las em vez de cortá-las" quando nem sabem como se planta uma semente - não! Dizer que a Natureza é de todos quando tomam banhos de imersão todas as noites e jogam a tal garrafinha de plástico para o chão quando o balde do lixo está a 2 metros - não mesmo!
É este tipo de coisas que me deixa mesmo frustrada. Quero ir para um sítio onde possa dar as minhas mãos e sorriso em troco de nada. Cansei da revolução de teclado.
(E sim... vou continuar a partilhar e a encher os vossos mails de petições quando acho que valem MESMO a pena, quando acredito no que estou a fazer e sei que vai ajudar para um mundo melhor.)
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